1.5.07

Nota de Repúdio

A classe artística está indignada com o novo projeto do "senabispo" (Senador + Bispo) Marcelo Crivella, que pretende transformar "templos religiosos" em patrimônio cultural, visando receber o benefício financeiro contido na lei Rouanet.

Para quem não sabe, a lei de incentivo fiscal criada durante o governo Collor, serve para beneficiar projetos e patrimônios culturais. A empresa ou pessoa física que investe tem um percentual abatido no Imposto de Renda.

Segundo o senabispo da Igreja Universal, suas intenções são tão puras que os maiores beneficiados seriam os católicos, já que - segundo ele - a lei só beneficiaria templos do século XIX ou anteriores e sua igreja nem seria lembrada, já que foi fundada na década de 70.

Ontem, 30/04/2007, Crivella participou do Programa do Jô (Rede Globo), onde "esclareceu" suas boas intenções e tentou responder às dúvidas do apresentador que não disfarçou sua indignação. O ator Juca de Oliveira, através do telão, chegou a perguntar se o senador não tinha "vergonha de tentar morder" um benefício que já é tão minguado, tendo em vista o estado precário que várias de nossas obras culturais se encontram. O bispo não quis responder se tinha vergonha ou não...

Jô Soares insistiu por várias vezes em lembrar o bispo que a lei favorece toda e qualquer obra que seja tombada e considerada patrimônio cultural; logo, esses mesmos "templos" citados por Crivella já podem ser beneficiados pela lei, bastando "apenas" a boa vontade do governo. Assim, não há a necessidade de mudança na lei e ainda há o risco de vários outros "templos" conseguirem um brecha para abocanhar o benefício. "Já vi esse filme antes e nele, a gente morre no final" disse o apresentador.

Só para não deixar dúvida do quão bom homem é o senabispo, Jô Soares fez questão de lhe perguntar sobre seu outro projeto que pretende dar o direito a críticas públicas contra os homossexuais. Segundo Crivella, ele quer ter o direito de expor publicamente sua opinião com relação à homossexualidade.

É isso... Guarde bem o nome dele: Marcelo Crivella, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus. Muito em breve, com certeza haverá projetos contra os católicos, espíritas, pagãos, judeus, etc. Seremos classificados entre evangélicos, pertencentes a uma raça ariana ou não-evangélicos, membros de uma raça inferior. Será o neo-nazismo do Senhor.

Um comentário:

Anônimo disse...

Eu assisti o monologo nesse dia, e assim consegui ver como é falho o senso de justiça do homem.