Ai ai... o que comentar sobre a nova posse de Lula? Toda aquela encenação de novo; toda aquela gente ingênua ali; a velha mania do discurso improvisado; o costume de se dizer superior aos governos anteriores... Enfim... Só mesmo pra quem teve estômago forte e quis comprovar que seria mais um capítulo do "Vale a pena ver de novo" de Brasília. Mas, por mais que eu tenha me recusado a assistir na íntegra, os telejornais me venceram pelo cansaço, mostrando cada um à sua maneira, as cenas mais deprimentes.
A Rede Globo insistiu em comentar sobre a parte do discurso em que Lula disse ter provado a todos que seus planos (bolsa-família, bolsa-escola e todas essas abominações que enchem de alegria o eleitor vendido que não quer trabalhar) não são populistas e sim populares... Além disso, ele pediu (ah, pobrezinho...) que a oposição não se esqueça de seu papel na política, mas dêem o braço a torcer e admita o sucesso desses projetos.
O SBT insistiu em exibir imagens do presidente desfilando em carro aberto, seguido do Vice, José de Alencar. Comentou os sinais de um país democrático: "O presidente, ex-retirante, ex-metalúrgico, de origem humilde, desfilou num Rolls Roice; enquanto seu vice, milionário, desfilou num Ford da década de 70".
A Record foi a mais criativa... Entrevistou (pela milésima vez) parentes e conhecidos do ex-metalúrgico que hoje pertence à classe tão criticada por ele.
Mais criativo que as emissoras, só o próprio presidente, que citou (ou plagiou) parte do discurso de Mário Covas (em uma entrevista ainda no hospital, após a retirada de um câncer) que dizia: "(...) Eu pedi forças e Deus me deu dificuldades para me fortalecer..." Ou criticando a onda de violência ocorrida no Rio de Janeiro, chamando de terrorismo nunca antes visto no país.
Todo o ato da posse mais parece uma peça de teatro... Quando Lula diz que a onda de Terrorismo nunca foi vista nessa proporção no país, ele se esquece (ou se omite) que seus "companheiros" fizeram exatamente o mesmo nos anos 60 e 70. E se hoje se repete, deve-se a uma política de segurança fraca, que não toma nenhuma iniciativa, assim como todo seu governo. E quando ele diz que ao invés de forças, Deus lhe enviou mais dificuldades, será que ele está querendo dizer que foi Deus, o Criador do tal dossiê contra o PSDB que nunca acharam o responsável?
As emissoras deveriam ser menos descaradas nessa guerra por verbas publicitárias... O repórter Alexandre Garcia (da Globo) falou, falou e não disse nada sobre o "novo governo", o Jornal do SBT parecia estar sem seu redator-chefe, improvisando cenas repetitivas pra fechar a matéria com um tempo razoável, mesmo sem ter assunto a comentar... E a Record? A emissora dos bispos sem-pecado e de mãos limpas... Grande parte deles são, foram ou estarão no novo governo; então, isso por si só já dispensa os comentários sobre a falta do que dizer...
Enquanto o povão tiver espírito de porco pra aceitar os desmandos, a sujeira, a fraude, a mentira e a cara deslavada; tudo isso em troca dos beneficiamentos miseráveis destinados a malandros sem um pingo de vergonha; enquanto a imprensa, com todo seu poder de manipulação, omitir-se à verdade das notícias em troca de benefícios, o Brasil será esse país indígno de qualquer respeito. O povão merece Lula - Lula merece o povão.
Edcarlos da Silva

Um comentário:
Realmente a imprensa desse país não é séria e devemos creditar em boa parte a ela a reeleição do nosso querido presidente, principalmente os canais de televisão citados. Eles são a única fonte de informação da maioria da população do país. Não há veículo de propagação ideológica mais convincente. Getúlio Vargas fez coisa parecida nos anos 40, em um tempo em que o rádio predominava e famílias inteiras se reuniam pra ouvir os programas à noite. Mas não concordo quando vc diz que os companheiros de Lula praticaram terrorismo na década de 60 e 70. O nosso presidente só começou a participar da luta sindical no final dos anos 70, quando a guerrilha urbana e rural já havia sido desmontada pela repressão, isso sem contar que eu não considero terrorismo pq na maioria das vezes as ações guerrilheiras buscavam não atingir civis, e mesmo assim essas ações tinham realmente ideais consideráveis.
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