As cenas da posse de Lula se confundem com as imagens do funeral de Saddan... não só pela aparência física dos dois ou por merecerem a forca, mas principalmente pelo povo que complementa a história.
Ah, o povo... Que dizer sobre todas aquelas pessoas que choraram pelo seu querido ditador, jurando vingança... Pessoas que esqueceram o regime de um poderoso descontrolado, que se achou no direito de exterminar milhares de pessoas de seu país. E sua filha? Que dizer de sua ignorância ao comentar que seu pai é um martir, influenciando assim, aquele povo atrasado a pensar ainda mais em vingança? Mártires foram suas vítimas, inclusive seus genros; assassinados por não concordarem com seu regime político. E o povo? O que pensa conseguir, jurando vingança? Morrer como ele morreu ou como ele matou? Recrutarão novos homens-bomba para mostrar ao mundo que com gente descontrolada não se brinca? Ou surgirá um novo Bin Laden, com novas juras de vingança aos americanos? As imagens de Saddan servem como retrato em uma única pessoa, de um povo que se permite ficar parado no tempo.
Mudando de continente, mas não de tema, falar o que do povo que além de eleger um bossal, metido até o pescoço em sujeiras, não se contenta com isso e ainda vai em caravana, assistir à nova posse do mártir brasileiro. O que esperar de um povo que grita histérico o nome de seu líder, sonhando com uma foto ao seu lado? Um povo que se omite a todas as provas de corrupção e vai às urnas para reelegê-lo. E se ainda não bastasse tamanha falta de vergonha, esse povo ainda vai à posse, para novamente, homenagear seu líder. Povo esse, que diz "apoiar o presidente, mas não o PT"... Como se o governo não fosse do PT e não preferisse os ideais da corja... O povão é burro e ainda por cima quer "emburrecer" os demais. Um povo que espalha ou acredita quando dizem que uma emissora de TV forjou os resultados do 1º turno, pra dar chance ao concorrente do PSDB, não pode estar de posse de todas as suas faculdades mentais.
Me sinto em um país dominado por gentalha, quando vejo uma multidão se esmagando pela oportunidade de ver de perto, de tirar uma foto ou de tocar no presidente rereleito, mesmo depois de tantas provas de um péssimo mandato. Gentalha que faz questão de lembrar que o governo envia um beneficiamento todo mês; mas faz questão de esquecer as CPIs (a maioria deles nem sabe o que é isso, devem pensar que é mais um bolsa-alguma coisa que o governo criou); esquecem a dança da pizza; os dólares apreendidos; as ações ilegais que derrubaram tantos ministros; as próprias transações do governo, nunca esclarecidas... Enfim... O povo quer dinheiro na carteira, não quer trabalho. Quer que seu filho vá à escola, pra poder ganhar o dinheiro do bolsa-escola; mas não quer que ele estude e aprenda. Chora de emoção, quando seu filho vai pra uma faculdade criada pelo governo; mas não se toca do fraco sistema de ensino, tampouco com a indisponibilidade de emprego na sua região. Ou seja, quando seu filho se formar na "Faculdade Luíz Inácio", vai ser mais um nordestino desempregado, inscrito no bolsa-família. Mas pelo menos terá uma faculdade, né?
Aí, o povão possuído pelo espírito de porco defende a entidade maior: "Por que só responsabilizam o governo pelo desemprego?" Elementar, povo burro... Empresas fecham suas portas todos os dias ou reduzem o número de funcionários, devido aos impostos; aos custos de produção; à incapacidade de concorrer aqui dentro com produtos que vêm de fora a preço de banana. Produtos que aqui dentro, pagam mais impostos do que os que entram no país. Mão-de-obra desqualificada... Viramos fregueses da China. Tudo que entra aqui é chinês... Tudo isso ainda se soma com o crescimento populacional. Não basta ter uma política de emprego que funcione, se todos os dias, milhares de novos seres vêm ao mundo, juntar-se ao povão. Sem o esclarecimento à massa que só sabe pôr filhos no mundo, em poucos anos, as favelas tomarão conta de tudo. Aí, haja bolsa-família, bolsa-escola, bolsa-emprego, bolsa-favela...
Na verdade, vivemos em um mundo instruído, cheio de oportunidades de esclarecimento; mas preferimos ficar parados no tempo, assim como o povo que chora pelo mártir Saddan.
12.1.07
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Um comentário:
Pois é, rapaz, seu raciocínio está certíssimo, mas faltou vc dizer que esse dito esclarecimento não chega a todos. Para nós, membros da classe média que tem acesso à tv, rádio, internet etc., é muito mais simples poder depurar uma informações, ou as várias que nos chegam a cada momento. Mas para eles a coisa não é tão simples. O pessoal realmente quer uma ajuda, quer poder ganhar um pouco mais, pra poder comprar seu fogão novo nas Casas Bahia. Eles não vêem o global (até porque não tem discernimento do que seja isso), mas preferem ser imediatistas. Ou seja, não interessa se os caras fizeram um mensalão, o salário mínimo aumentou. Só que continuamos com um dos menores salários mínimos do mundo, mas quem se dá conta disso?
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